Uma sequência de eventos ligados à formação em gestão de IA reacendeu o otimismo de um profissional que vinha pintando cenários sombrios para a humanidade.
Entre aulas encerradas, bate-papo com jovens e uma apresentação na maior feira de educação do país, ele concluiu: “aqui jaz um pessimista”. A seguir, entenda como essa virada aconteceu.
Segundo grupo da formação em gestão de IA encerra ciclo na ESPM
No início de maio de 2026, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, concluiu a segunda turma da formação em gestão de IA. O curso, idealizado pelo jornalista e pesquisador Pedro Cortella, aposta em discussões críticas sobre inteligência artificial em vez de apenas ensinar comandos prontos ou demonstrar ferramentas populares.
Durante cinco meses, os participantes mergulharam em ética, impacto social e cenário econômico, saindo com a proposta de disseminar um pensamento mais humano na adoção tecnológica. “Virou uma plantação de sementes de pensamento crítico”, resumiu Cortella, satisfeito com o engajamento da turma.
Público-alvo diverso estimula trocas
Os estudantes vieram de áreas como marketing, TI, RH e educação, o que enriqueceu debates e cases práticos. Essa pluralidade reforçou a conclusão de que a formação em gestão de IA precisa extrapolar planilhas de produtividade e mirar questões de longo prazo.
Palestra caseira revela dilema da geração Z
Poucos dias após o término do curso, Cortella foi convidado por um ex-aluno a palestrar na própria sala de estar, reunindo primos de 16 a 25 anos. O encontro, descrito como “conversa sobre futuro para o futuro”, trouxe à tona a dificuldade de encaixar competências socioemocionais em ambientes corporativos ainda focados em entrega técnica.
Um dos participantes questionou: “Sei que preciso desenvolver soft skills, mas meu chefe só cobra relatórios e prazos”. O comentário simboliza, segundo o jornalista, o choque entre uma visão sustentável de carreira e a urgência de metas de curto prazo dentro de um modelo econômico considerado esgotado.
Mundial sem mainstream dificulta rótulos
A plateia reforçou a ideia de que a geração Z não compartilha referencial único de cultura pop, como séries ou bandas onipresentes no passado. Essa ausência de “mainstream” torna imprecisos os estereótipos frequentemente atribuídos aos mais jovens, ampliando a distância de entendimento entre gestores e novatos no mercado.
Bett Brasil vira palco para provocação: “o celular é o novo cigarro”
Para fechar a semana, o especialista subiu ao palco da Bett Brasil, maior feira de educação e negócios do país, realizada no Expo Center Norte, também em São Paulo. Lá, apresentou um exercício de futurismo focado no vício em telas. Inspirado pelo psicólogo Jonathan Haidt, Cortella comparou smartphones ao cigarro, sugerindo que a sociedade pode demorar décadas até criar regulamentações realmente eficazes contra o uso excessivo.
Ele relembrou que leis antitabaco levaram cerca de 80 anos para reduzir o hábito de fumar. “Quanto tempo levaremos para ver um adolescente sem celular colado às mãos?”, perguntou à plateia. O questionamento arrancou reflexões sobre bem-estar digital e saúde mental em escolas, empresas e famílias.

Imagem: Reprodução
Recepção positiva reforça mudança de perspectiva
Educadores e empreendedores saíram da apresentação comentando iniciativas de detox digital já testadas em salas de aula. O retorno caloroso reforçou no palestrante a sensação de que soluções práticas estão ganhando espaço, alimentando a esperança de um futuro menos dependente de telas.
Da desesperança ao otimismo: por que a virada importa
Há mais de três anos, Cortella mergulhou em cenários distópicos de avanço tecnológico, chegando a batizar sua newsletter de “Resistência Humana” e o podcast de “Inteligência Orgânica”. Segundo ele, o tom predominantemente alarmista pode ter afastado parte do público, embora também tenha servido de alerta.
Agora, após a vivência com alunos, jovens e profissionais da Bett Brasil, o jornalista declarou publicamente o fim do pessimismo. Para ele, a combinação de iniciativas educacionais, questionamentos da geração Z e diálogo aberto sobre regulação tecnológica demonstra que mudanças concretas já estão em curso.
Impacto na carreira e nos projetos
A mudança de sentimento deve refletir nos próximos conteúdos do autor, que promete manter o senso crítico, mas sem cair no “terror tecnológico”. Ele planeja ampliar a formação em gestão de IA e levar o debate sobre saúde digital a outras capitais brasileiras.
O que vem a seguir na formação em gestão de IA
Segundo Cortella, a terceira turma do programa será anunciada ainda em 2026, com módulos extras sobre regulamentação global e estratégias de implementação responsável. As inscrições, afirmou, continuarão abertas a profissionais de qualquer área interessados em entender o papel da inteligência artificial no trabalho e na sociedade.
Para o Olhar Tec Digital, o especialista adiantou que pretende lançar cases em vídeo e encontros híbridos, mantendo vivo o propósito de cultivar uma visão crítica e propositiva no uso da tecnologia.
Frase-chave ganha espaço no debate
Ao repetir a importância da formação em gestão de IA, o jornalista reforça que discutir inteligência artificial não se resume a ferramentas, mas a pessoas. “Se quisermos um amanhã mais justo, precisamos começar pela sala de aula, pela empresa e, quem diria, pela sala de estar”, concluiu.
Depois de uma semana intensa, o ex-pessimista acredita que plantar pequenas sementes de consciência já basta para transformar o terreno onde a tecnologia cresce.