A tensão tecnológica entre Washington e Pequim ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026. Um memorando da Casa Branca aponta que grupos ligados à China teriam montado uma operação em larga escala para roubar segredos de laboratórios norte-americanos de Inteligência Artificial.
Segundo o documento, a ofensiva recorreu a perfis falsos, milhares de contas-proxy e técnicas de jailbreak para burlar proteções e extrair código proprietário. O governo norte-americano classifica a ação como “desmantelamento sistemático” dos modelos de IA desenvolvidos no país.
O que diz o memorando sobre o roubo de tecnologia de IA
O texto divulgado pelo diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia, Michael Kratsios, descreve uma campanha considerada “industrial”. De acordo com ele, entidades estrangeiras sediadas principalmente na China utilizam uma malha de servidores para mascarar endereços reais e driblar mecanismos de detecção.
Essas contas-proxy atuariam como ponte para baixar, analisar e reproduzir partes de modelos de linguagem, visão computacional e outras aplicações sensíveis. O objetivo seria ganhar acesso a anos de pesquisa financiada por universidades, fundos públicos e empresas privadas dos Estados Unidos.
Perfis falsos e jailbreaks em destaque
Kratsios afirma que os atacantes criam perfis falsos em plataformas que oferecem testes públicos de IA. Em seguida, aplicam comandos de jailbreak para obrigar o sistema a revelar instruções internas ou conjuntos de dados restritos. Cada conta faz pequenas requisições para evitar suspeitas, mas, somadas, essas requisições formam um espelho quase completo do modelo original.
Repercussão imediata e silêncio da China
A Embaixada da China em Washington foi procurada, mas, até o fechamento desta matéria, não havia emitido comentário oficial. Apesar do silêncio, diplomatas chineses já negaram acusações semelhantes em outros contextos, alegando falta de provas concretas.
Em solo americano, congressistas republicanos e democratas aproveitaram o episódio para defender regras mais rígidas de exportação de tecnologia avançada. Para eles, o roubo de tecnologia de IA representa não apenas perda econômica, mas também risco à segurança nacional.
Visita de Trump a Xi Jinping aumenta expectativa
O momento do vazamento não passa despercebido. Dentro de algumas semanas, o presidente Donald Trump deve desembarcar em Pequim para um encontro com o líder chinês Xi Jinping. Especialistas em diplomacia veem o tema como pauta obrigatória na conversa bilateral, já carregada por disputas comerciais e sanções cruzadas.
NVIDIA volta ao centro do debate
O documento da Casa Branca também reacende discussões sobre a venda de chips de IA fabricados pela NVIDIA à China. O Departamento de Comércio liberou as exportações em janeiro, mas o secretário Howard Lutnick admitiu, na quarta-feira, 22 de abril, que nenhuma remessa foi efetivada até agora.
Empresas chinesas dependem desses componentes para treinar grandes modelos de linguagem e de visão. Com a nova denúncia de roubo de tecnologia de IA, analistas preveem pressão para cancelar ou, ao menos, suspender as licenças concedidas à gigante californiana.

Imagem: Reprodução
Impacto no mercado e na pesquisa
Setores de semicondutores e nuvem já monitoram possíveis restrições adicionais. Caso os chips fiquem retidos, startups e universidades chinesas podem atrasar projetos emergentes, enquanto companhias americanas perdem receitas relevantes. Em contrapartida, Washington argumenta que a medida reduziria a vantagem competitiva obtida de forma ilícita.
Como ocorre o “desmantelamento sistemático” citado pela Casa Branca
Apesar do tom duro do memorando, os métodos descritos não envolvem invasões tradicionais a data centers. Em vez disso, a estratégia aposta na exploração de acessos públicos ou semi-públicos:
- Criação de milhares de contas automáticas, cada uma com endereço de IP mascarado;
- Automação de comandos que exploram brechas de engenharia de prompt;
- Armazenamento distribuído dos trechos coletados para reconstituir o modelo completo.
O processo lembra um “puzzle” digital: cada peça isolada parece inofensiva, mas, quando montada, entrega o panorama total de como o sistema foi treinado e funciona internamente. Essa reverse engineering ameaça a posição de liderança dos Estados Unidos em Inteligência Artificial, afirma o governo.
Próximos passos e monitoramento
Fontes ligadas ao Conselho de Segurança Nacional indicam que novas diretrizes poderão obrigar laboratórios a implementar camadas extras de autenticação. Ferramentas de IA públicas, por exemplo, teriam de detectar padrões suspeitos de requisição em lote e limitar respostas detalhadas sobre arquitetura interna.
Enquanto isso, legisladores discutem projetos para criminalizar de forma mais severa a apropriação de modelos de IA. A proposta incluiria multas milionárias e até prisão para indivíduos que comercializarem ou distribuírem cópias não autorizadas.
Olhar Tec Digital segue de olho
No Olhar Tec Digital, continuaremos acompanhando cada evolução desse embate, essencial para quem estuda ou trabalha com Inteligência Artificial. A acusação de roubo de tecnologia de IA sinaliza não só conflito geopolítico, mas também uma corrida por inovação que afeta mercado, pesquisa acadêmica e aplicações cotidianas.
Até a visita de Trump a Xi Jinping, o cenário deve ganhar novos capítulos. Por ora, o alerta da Casa Branca coloca em evidência a fragilidade de sistemas de IA abertos e a urgência de políticas que protejam propriedade intelectual em um ambiente cada vez mais globalizado.