Celebrado por sua passagem na MTV, André Vasco voltou aos holofotes ao detalhar sua visão sobre tecnologia e criatividade. O apresentador participou do podcast Inteligência Orgânica e defendeu que algoritmos são neutros, dependem apenas de quem os manipula. Ao mesmo tempo, compartilhou bastidores de sua luta contra ansiedade e síndrome do impostor.
No bate-papo, Vasco também comparou as big techs a senhores feudais, conceito que chamou de tecnofeudalismo. A conversa passou por nostalgia, múltiplas carreiras e a importância do contato ao vivo como forma de resistência digital. O vídeo completo está disponível no YouTube.
André Vasco resistência digital: bastidores de uma carreira camaleônica
Com mais de vinte anos de estrada, André Vasco descreveu sua trajetória como uma “metamorfose permanente”. O ex-VJ lembrou que ganhou projeção nacional aos 19 anos e, desde então, precisou se reinventar várias vezes para não ficar preso a um único rótulo. Ele contou que, antes de chegar à MTV, foi mentor de Pedro Cortella, hoje também comunicador.
Segundo o apresentador, aceitar as “várias vidas” possíveis em uma mesma existência ajuda a manter a mente aberta para novidades. Aprender com as gerações mais jovens faz parte do processo, afirmou, dizendo que a busca constante por atualização o impede de cair em discursos do tipo “antigamente era melhor”.
Fama precoce e saúde mental
Durante a entrevista, André Vasco foi franco sobre o impacto da popularidade inesperada. Mesmo depois de duas décadas na televisão e na internet, ele afirmou ainda lutar contra crises de ansiedade. A síndrome do impostor, segundo ele, muitas vezes o transforma em seu “maior adversário”, exigindo acompanhamento psicológico e rotinas de cuidado pessoal.
Algoritmo é ferramenta, não vilão
Um dos pontos centrais da conversa foi a defesa do livre-arbítrio. Para André Vasco, resistência digital significa compreender que tecnologia, redes sociais e inteligência artificial são neutras. “Tudo depende de como escolhemos usar”, frisou, reforçando que o usuário tem autonomia para decidir se será refém ou protagonista desse ambiente.
Ele relatou que muitas críticas atuais ao universo online partem de uma visão saudosista, que ignora benefícios reais como acesso a informação e novas formas de expressão artística. Contudo, admitiu que o excesso de notificações pode reduzir a concentração, pedindo equilíbrio na relação com as telas.
Nostalgia sob crítica
O ex-VJ rejeitou a frase “antigamente era melhor”. Para ele, cada era tem pontos fortes e fracos, e cabe às pessoas extrair o melhor de cada inovação. Ao comparar épocas, Vasco destacou que nunca foi tão fácil produzir conteúdo em alta qualidade com baixo custo. “Se antes precisávamos de uma equipe inteira, hoje um celular já resolve muita coisa”, comentou.
Tecnofeudalismo: quando as big techs viram senhores de terras digitais
Vasco popularizou no programa o termo tecnofeudalismo, metáfora que coloca as plataformas digitais no papel de senhores feudais. De acordo com o comunicador, essas empresas oferecem “terrenos alugados” — perfis em redes sociais — enquanto capturam gratuitamente a criatividade dos usuários, convertendo atenção em lucro.
Para ilustrar, ele citou a dinâmica que incentiva criadores a postar conteúdo sem remuneração direta, apenas em troca de alcance e visibilidade. Essa lógica, explicou, reforça a importância de produzir a partir de um repertório autêntico e não apenas seguindo tendências impostas pelo algoritmo.

Imagem: Reprodução
Referências para fugir da mesmice
Vasco recomendou que quem trabalha com criatividade busque inspirações fora do ambiente digital. Ele mencionou cineastas como Michel Gondry e Wes Anderson, cujas estéticas particulares o ajudaram a desenvolver identidade própria. “Quanto mais referência fora da bolha, menos dependência do feed”, resumiu.
Resistência digital passa pela atenção plena e encontros presenciais
Como antídoto ao tecnofeudalismo e à pressão pelo engajamento, André Vasco sugeriu retomar hábitos analógicos. Ler um livro físico, conversar sem celular na mesa e frequentar eventos presenciais figuram entre seus conselhos. Para ele, a atenção plena resgata o senso de humanidade e abastece a criatividade com experiências reais.
Vasco reforçou que humor e leveza também ajudam na jornada. “Quando paramos de nos levar tão a sério, encontramos espaço para errar, aprender e evoluir”, disse, incentivando o público a experimentar novos formatos sem medo de cancelamento.
Como hackear o algoritmo sem perder a criatividade
Ao final do episódio, o comunicador listou boas práticas para lidar com redes sociais:
- Definir horários claros para uso dos aplicativos.
- Criar antes de consumir, evitando distrações logo cedo.
- Variar fontes de inspiração, on-line e off-line.
- Publicar com intenção, não apenas para cumprir “cota diária”.
- Meditar ou praticar exercícios rápidos entre blocos de trabalho.
Essas táticas, segundo ele, blindam a saúde mental e mantêm a originalidade, mesmo dentro de sistemas guiados por inteligência artificial.
O que fica para quem acompanha tecnologia e inovação
A conversa de quase duas horas reforça a ideia de que resistência digital não é desconexão total, mas uso consciente dos recursos disponíveis. André Vasco resistência digital se tornou, assim, expressão de uma postura que combina liberdade criativa, cuidado psicológico e senso crítico em relação às plataformas.
Para os leitores do Olhar Tec Digital, fica o convite: assistir ao episódio completo no canal Inteligência Orgânica, refletir sobre o próprio consumo de conteúdo e testar novas rotinas que priorizem a atenção plena.