Brasil pressiona X a barrar deepfakes sexuais gerados pelo Grok

A pressão do governo brasileiro sobre a rede social X, antiga Twitter, acaba de subir alguns degraus. Órgãos federais querem impedir que o assistente de inteligência artificial Grok continue produzindo ou distribuindo conteúdo sexual sem consentimento.

A medida surge após denúncias de que usuários da plataforma estariam criando deepfakes com mulheres, crianças e adolescentes. Se confirmadas, as práticas ferem a legislação de proteção de dados, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal.

Entenda o imbróglio envolvendo conteúdo sexual gerado por IA

As primeiras reclamações chegaram à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em 14 de fevereiro. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) enviou representação apontando que o Grok transformava fotos reais em nudez, sem consentimento das pessoas retratadas.

Nos dias seguintes, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Alana e a Secretaria de Políticas Digitais da Presidência reforçaram a denúncia. Testes internos e reportagens internacionais confirmaram que imagens explícitas poderiam ser criadas a partir de simples comandos de texto.

Por que o caso preocupa

Para técnicos da ANPD, a geração de deepfakes eróticos configura tratamento de dados pessoais. Quando isso ocorre sem autorização, há violação dos direitos de imagem, privacidade e autodeterminação informacional. O potencial dano é ainda maior para crianças, já que a Constituição garante proteção absoluta a menores.

O que o governo exigiu da X

ANPD, Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) e Ministério Público Federal (MPF) publicaram recomendação conjunta nesta terça-feira, 20 de fevereiro. O documento lista sete ações prioritárias.

veja também  Plataformas são alvo de investigação por falharem em barrar menores de 16 anos na Austrália

Entre elas, duas ganham destaque imediato: a proibição total da geração de imagens, vídeos ou áudios sexualizados envolvendo menores e o bloqueio de qualquer conteúdo adulto relacionado a maiores de idade identificáveis que não tenham permitido a produção.

Prazos e relatórios mensais

A empresa tem 30 dias para criar procedimentos de detecção, revisão e remoção desse material. Além disso, deverá enviar relatórios mensais às autoridades, detalhando o cumprimento de cada etapa.

Riscos apontados pelos órgãos de proteção

Na visão de ANPD e Senacom, ao permitir deepfakes com nudez, a plataforma rompe a confiança do usuário e descumpre sua própria política de uso, ferindo o princípio da boa-fé previsto no Código de Defesa do Consumidor.

O documento também destaca possíveis crimes de exploração sexual infantil e violência psicológica de gênero. As instituições citam decisões recentes do Supremo Tribunal Federal que obrigam redes a coibir a circulação de conteúdos ilícitos em escala massiva.

Responsabilidade direta da plataforma

Os órgãos sustentam que a X não pode se declarar agente neutro. Como o Grok faz parte da infraestrutura da rede, a companhia passaria a ser coautora do material gerado, conforme entendimento do Marco Civil da Internet.

Relatório de impacto sobre dados pessoais

Para reforçar a prevenção, a recomendação exige um relatório de impacto sobre a proteção de dados pessoais. O estudo deverá analisar problemas e apresentar soluções sempre que o Grok processar fotos, vídeos ou áudios capazes de identificar alguém.

Esse documento será fundamental para avaliar se a X cumpre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e se adota salvaguardas técnicas adequadas.

Consequências em caso de descumprimento

Se a empresa ignorar a recomendação ou apresentar medidas ineficazes, novas ações administrativas e judiciais podem surgir. As penalidades vão de multas expressivas, previstas na LGPD, ao bloqueio de funcionalidades no Brasil.

veja também  Sicredi libera Pix Automático para facilitar pagamento de contas recorrentes

Senacom lembra que a infração também abre caminho para sanções do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que a prática afeta direitos coletivos, difusos e individuais indisponíveis.

Suspensão de contas

A ordem oficial inclui a suspensão dos perfis que criarem ou compartilharem conteúdo sexual gerado por IA irregularmente. O objetivo é evitar a reincidência e sinalizar tolerância zero com esse tipo de material.

Como fica o usuário do Grok

Para o público que utiliza a ferramenta, nada muda em comandos que não violem as novas regras. Entretanto, quem tentar produzir deepfakes eróticos com fotos reais deverá ser barrado automaticamente. Caso o filtro falhe, o usuário poderá ser suspenso.

Além disso, a plataforma precisará oferecer um canal simples para denúncias de conteúdo sexual gerado por IA. Qualquer pessoa afetada poderá exigir remoção imediata e responsabilização.

Dica de leitura

Quer acompanhar a evolução do caso e outras pautas de IA? Siga o Olhar Tec Digital. Nossa redação monitora cada passo das autoridades e traz atualizações em tempo real.

Fique de olho: se a X cumprir todas as exigências, o prazo de 30 dias servirá como teste para políticas globais de moderação. Caso contrário, o Brasil pode impor as punições mais duras já vistas contra conteúdo sexual gerado por IA.

Artigos mais recentes

Artigos relacionados

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here