Thomaz Pinelli, empreendedor com 20 anos de experiência em engenharia de automação, compartilha uma visão prática sobre o avanço da inteligência artificial (IA) e da robótica na indústria. Fundador do Grupo TH, ele defende que essas tecnologias devem ser usadas para melhorar a segurança e a eficiência no setor, sem substituir o fator humano, mas aprimorando-o.
Pinelli enfatiza que a IA acelera a produção de códigos e projetos, mas não consegue criar de forma original ou tomar decisões estratégicas com autonomia. Além disso, ele destaca o impacto energético dos data centers, alertando para o consumo excessivo de dados. Para se manter competitivo, profissionais da área precisam dominar o processo constante de “desaprender e reaprender”.
IA e robótica na indústria brasileira
Com início de carreira na Johnson & Johnson, Pinelli observou que máquinas devem eliminar tarefas perigosas, sem eliminar trabalhadores. Essa filosofia guia sua atuação, onde tecnologia serve como ferramenta que depende da intenção humana. A entrada de robôs móveis, como os quadrúpedes da Boston Dynamics, deve focar em ambientes de alto risco, como mineração, para proteger os colaboradores.
Pinelli representa modelos avançados no Brasil e reforça que a automação não substitui, mas exige mão de obra mais qualificada e criativa. Isso reflete a necessidade de preparo técnico para lidar com sistemas cada vez mais complexos, integrando inteligência artificial com engenharia aplicada.
Desafios energéticos e dados na era digital
O especialista alerta para o crescente consumo de energia dos grandes data centers, que sustentam plataformas de IA e serviços digitais em larga escala. Ele chama atenção para a possibilidade de uma “bolha” no uso de dados, que pode levar a dificuldades futuras no setor de tecnologia.
Esse panorama mostra que, apesar do avanço rápido, o setor tecnológico precisa ser sustentável e estratégico. A adaptação profissional envolve compreender não apenas a capacidade técnica, mas também os limites operacionais e ambientais da indústria digital.
Críticas e perspectivas para a reindustrialização do Brasil
Pinelli critica a falta de um plano de estado de longo prazo para a reindustrialização do país, enfatizando que o Brasil ainda não valoriza o desenvolvimento tecnológico agregado à suas commodities, especialmente do agronegócio.
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Segundo ele, esse cenário requer um projeto que durable por pelo menos 30 anos, para transformar recursos naturais em produtos de maior valor agregado por meio da automação e tecnologia. A integração da Indústria 4.0 no Brasil deve incluir a formação de profissionais capacitados para trabalhar nesse novo ambiente.
Robótica social e o papel da inteligência orgânica
Além da atuação empresarial, Pinelli investe em projetos sociotecnológicos que promovem a robótica em comunidades vulneráveis. Ele acredita que a Indústria 4.0 não elimina a necessidade do fator humano, mas exige criatividade, qualificação e o desenvolvimento da chamada inteligência orgânica.
Esse conceito envolve a capacidade de aprendizado contínuo, adaptabilidade e criatividade dos profissionais diante de uma tecnologia em constante evolução. Na prática, isso reforça o papel da educação e da qualificação técnica para acompanhar as demandas do mercado tecnológico.
Vale a pena investir na carreira em automação e IA?
A trajetória de Thomaz Pinelli mostra que, mesmo com os avanços da inteligência artificial e da robótica, o mercado continua demandando profissionais qualificados e com visão crítica sobre tecnologia. Cursos de TI e treinamentos voltados para IA e automação apresentam grande potencial para quem deseja atuar com inovação na indústria.
No contexto brasileiro, quem busca uma carreira tecnológica deve estar preparado para aprender constantemente e desenvolver habilidades para trabalhar com sistemas complexos. O olhar de Pinelli sobre a reindustrialização e automação é um convite para refletir sobre a importância do investimento em qualificação, alinhado às tendências globais da quarta revolução industrial.