Jogadores do Pokémon Go tiveram papel fundamental na criação de um sistema de inteligência artificial que possibilita a localização precisa de drones e robôs de entrega, mesmo em ambientes sem sinal de GPS. Dados coletados durante o uso voluntário de escaneamentos do jogo foram usados para treinar essa tecnologia inovadora.
Esse sistema integra tecnologias de visão computacional para mapear em 3D o ambiente, ajudando equipamentos a entender a própria localização. A iniciativa é resultado da transferência da Niantic Spatial para uma estrutura independente, unindo-se a outras empresas para aplicar esse avanço. Entenda como essa colaboração entre jogos e tecnologia tem evoluído rapidamente.
Contribuição dos usuários na coleta de imagens
A base do sistema foi formada por cerca de 30 bilhões de imagens tridimensionais capturadas principalmente por jogadores do Pokémon Go e usuários do aplicativo Scaniverse. Essas fotos foram feitas em espaços públicos, documentando os locais sob diferentes condições de luz, clima e horários.
Para colaborar, os usuários precisavam ativar uma função específica para escaneamento, que foi removida do jogo em março de 2026. De acordo com a Niantic Spatial, apenas jogar o Pokémon Go não impactava o treinamento da IA; era necessário o uso voluntário da ferramenta de captura. Desde 2019, isso já estava previsto nas políticas de privacidade da empresa.
Funcionamento da tecnologia que substitui o GPS
A solução utiliza inteligência artificial para analisar as imagens capturadas e criar um modelo tridimensional do ambiente. No solo, câmeras com essa tecnologia comparam as imagens que captam com o modelo 3D para identificar a posição exata do equipamento ou do usuário.
No caso dos drones, a empresa Vantor, parceira da Niantic Spatial, aplica uma técnica similar, permitindo que veículos aéreos e pessoas no chão compartilhem sua localização sem depender de sinais de GPS, o que amplia as possibilidades de uso em ambientes urbanos e interiores.
Parcerias estratégicas para robótica e entregas autônomas
Em março de 2026, a Niantic Spatial firmou um acordo com a Coco Robotics para utilizar essa tecnologia em robôs de entrega, com o objetivo de garantir mais autonomia ao trânsito desses equipamentos pelas ruas das cidades. Os testes preliminares mostraram redução de 70% nos erros de posicionamento, alcançando precisão de até 1,5 metro.
Esses avanços são importantes para a evolução da robótica urbana, especialmente em serviços que dependem de navegação autônoma. Essa colaboração entre áreas da inteligência artificial é um exemplo claro da revolução que a programação e análise de dados estão provocando no setor de TI.
Imagem: animações japesas e tradições popu
Questões éticas e possíveis aplicações militares
Apesar dos benefícios, especialistas em ética tecnológica apontam que o volume de dados coletados acelerou o desenvolvimento do sistema, que pode eventualmente ser aplicado em setores militares. Para Jeroen van den Hoven, professor que atua na intersecção da ética e tecnologia, mesmo pequenas contribuições individuais podem resultar em implicações relevantes.
A Vantor, anteriormente chamada Maxar Intelligence, possui contratos com entidades governamentais dos EUA ligadas à inteligência geográfica e defesa. Apesar disso, tanto Niantic Spatial quanto Vantor afirmam que os dados colhidos no Pokémon Go não são usados em suas parcerias comerciais, mantendo foco apenas no uso civil e comercial da tecnologia.
Sistema de geolocalização que veio dos jogos realmente vale a pena?
O uso de imagens coletadas por jogadores para treinar sistemas de IA representou uma inovação importante no campo da localização por visão computacional. Ao eliminar a dependência do GPS, esse avanço pode ampliar as aplicações de drones e robôs em áreas complexas e interiores.
Além disso, essa tecnologia abre novas oportunidades para profissionais de TI que atuam em programação, inteligência artificial e robótica, áreas em expansão e fundamentais para a transformação digital atual. O olhar de quem atua no jornalismo de tecnologia, como aqui no olhar tec digital, é acompanhar atentamente essas interseções entre jogos, IA e mercado.
O desenvolvimento dessa tecnologia também destaca a importância dos dados gerados pelos usuários em projetos de grande escala, ressaltando como a revolução digital e a inteligência artificial continuam a moldar o futuro das cidades inteligentes e da automação.