A União Europeia ainda está distante de alcançar Estados Unidos e China na liderança do desenvolvimento em inteligência artificial (IA). Apesar da qualidade da pesquisa europeia, o bloco enfrenta dificuldades para expandir startups e atrair investimentos de risco em IA, o que compromete seu potencial competitivo no setor.
Especialistas alertam que a Europa precisa acelerar seu ecossistema tecnológico para não repetir erros do passado, quando a região perdeu espaço para os EUA na revolução da tecnologia da informação. Para isso, o foco deve estar em áreas onde o continente apresenta vantagens, além de melhorar o financiamento e a regulação do mercado.
Europa perde terreno na inovação em IA frente a EUA e China
De acordo com o pesquisador Philippe Aghion, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2025, a inteligência artificial representa uma nova fase de destruição criativa, que mudará radicalmente setores econômicos. A nível global, os Estados Unidos e a China lideram os investimentos em modelos avançados de linguagem e infraestrutura computacional, enquanto a Europa fica para trás.
Empresas americanas como OpenAI, Google, Meta e Microsoft injetam bilhões nos chamados grandes modelos de linguagem, que incluem o ChatGPT e seus concorrentes, além de soluções chinesas como DeepSeek. O investimento robusto em pesquisa aplicada e em startups faz com que esses países dominem o cenário mundial em IA.
Potencial europeu na aplicação da IA em saúde e regulação de dados
Apesar da dificuldade em competir no desenvolvimento dos grandes modelos de linguagem, a Europa mantém pontos fortes em pesquisa especializada. Essa vantagem pode ser explorada, especialmente no setor de saúde, onde o continente possui dados de qualidade superior e potencial para implementar soluções de IA focadas em diagnósticos e tratamentos.
Além disso, a tradição europeia em regulamentação da privacidade e proteção de dados pode virar diferencial competitivo. A busca por uma inteligência artificial ética e regulamentada é crescente, o que pode atrair investimentos e trazer segurança aos usuários, criando um ambiente favorável à inovação mais responsável.
Necessidade urgente de fortalecer o ecossistema de startups e investimento
Startups de tecnologia na Europa costumam enfrentar dificuldades para levantar capital de risco, peça-chave para a inovação em IA e outras áreas. Enquanto bancos oferecem pouco suporte devido a riscos e falta de garantias, investidores especializados são escassos no continente.
Especialistas defendem a harmonização das legislações da União Europeia, especialmente em relação às leis de falência, para melhorar a confiança dos investidores. Além disso, o aproveitamento da enorme poupança privada, atualmente direcionada majoritariamente a imóveis e títulos públicos, poderia ser redirecionado para financiar startups e gerar mais inovação.
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A proposta de uma agência europeia de pesquisa em IA e o papel da requalificação profissional
Inspirado pela Defense Advanced Research Projects Agency (Darpa), dos EUA, Philippe Aghion sugere a criação de uma plataforma franco-alemã para impulsionar a pesquisa em IA. O objetivo é garantir investimentos estratégicos, incluindo parcerias com setores militares para acelerar avanços tecnológicos.
Além do investimento, Aghion destaca a importância da educação e da requalificação profissional para preparar a força de trabalho para as transformações que a IA trará. Países com sistemas educacionais e mercados de trabalho rígidos correm riscos maiores de sofrer impactos sociais negativos pela adoção da IA.
Vale a pena a Europa acelerar sua jornada na inteligência artificial?
O avanço da inteligência artificial é uma realidade global e inevitável. Para a Europa manter sua relevância no cenário tecnológico, é imprescindível desenvolver um ambiente favorável à pesquisa, investimento e inovação. Combinar tradição regulamentar com investimento em áreas estratégicas como saúde e manufatura pode ser o caminho para aumentar a competitividade.
No entanto, essa corrida exige rápido alinhamento político e econômico, além de investimentos sólidos em capital de risco e educação profissional. Só assim a Europa poderá transformar a inteligência artificial em um motor de crescimento tecnológico e social para o futuro.
No olhar tec digital, acompanhamos de perto essa dinâmica que envolve tecnologia, inovação e o futuro das carreiras em TI. O desafio da Europa reforça a necessidade crescente de capacitação em inteligência artificial e a importância de políticas integradas para estimular o setor.