Curso da ESPM mostra como a inteligência artificial. A cena do professor carismático que vira a mesa da sala de aula, eternizada por Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos, continua viva cada vez que alguém descobre que aprender pode, sim, ser prazeroso. Esse encantamento voltou a aparecer na ESPM, onde a inteligência artificial passou a ocupar o papel de agente transformador.
Em duas aulas recentes, o publicitário e pesquisador Pedro Cortella recorreu ao conceito de inteligência artificial na educação para mostrar aos alunos que tecnologia e pensamento crítico podem — e devem — caminhar lado a lado.
Professor fora da curva: do teatro ao laboratório de IA
A lembrança de mestres que trocavam o quadro-negro por dinâmicas criativas serve de ponto de partida para discutir onde a escola costuma falhar: ligar conhecimento a prazer. Segundo Cortella, ainda falta estímulo para que o estudante associe aprendizado a curiosidade, não apenas a prazos ou provas.
Foi essa mesma lógica que levou o ator e escritor Gregório Duvivier a encenar O Céu da Língua, espetáculo em que gramática, ortografia e história se misturam num solo humorístico. O resultado é um público que sai do teatro dominando regras de português sem notar que “estava estudando”. A metáfora ilustra como a inteligência artificial na educação pode suavizar conteúdos densos.
Gregório Duvivier e a aula que ninguém esquece
No palco, Duvivier transforma vírgulas e crases em personagens. Essa teatralidade funciona porque, ao ativar emoção, cria memória de longo prazo. A proposta de Cortella leva o mesmo princípio para a faculdade, agora com algoritmos no lugar das cortinas.
Para os participantes, ficou claro que, se uma performance artística já quebra barreiras cognitivas, os recursos de IA podem fazer o mesmo ao personalizar exercícios, revisar textos em segundos ou ilustrar conceitos abstratos com exemplos gerados em tempo real. É exatamente aqui que o Olhar Tec Digital enxerga potencial de viralização entre leitores que acompanham novidades do setor.
Retrieval-Augmented Generation: a engrenagem por trás do show
Durante as aulas, o tema central foi o Retrieval-Augmented Generation (RAG), arquitetura que combina buscas em bases de dados internas com modelos de linguagem, como GPT, para criar respostas sob medida. Cortella propôs um desafio prático: cada grupo recebeu documentos complexos e precisou construir relatórios, resumos e sugestões de ação, tudo guiado por IA.
Na prática, o estudante percebe que o método bancário de ensino — termo de Paulo Freire para descrever aulas expositivas tradicionais — colide com a era das máquinas. A ansiedade pela produtividade aumenta quando se adiciona algoritmos que prometem entregar tudo “mais rápido”. Por isso, entender onde a tecnologia ajuda e onde pode emperrar torna-se habilidade essencial.
Inteligência artificial na educação: benefícios e armadilhas
Ao aplicar RAG em problemas reais, os alunos notaram ganhos imediatos: pesquisa acelerada, customização de conteúdo e facilidade na criação de chatbots internos. Contudo, também viram riscos de vício em automação e perda de senso crítico caso o humano delegue decisões sem conferência.

Imagem: Reprodução
“Estamos caindo num abismo barulhento se não soubermos fazer perguntas melhores”, alertou Cortella. A fala ecoa o conselho de especialistas: use a inteligência artificial na educação como motor, não como atalho permanente. Portanto, cabe ao professor manter o papel de curador, garantindo fontes confiáveis e evitando vieses que modelos estatísticos ainda não corrigem por conta própria.
Formação em Gestão de IA abre nova turma em abril
Para quem quer mergulhar nesse universo, a ESPM abriu inscrições para a Formação em Gestão de Inteligência Artificial, com início em abril. As aulas ocorrerão às terças e quintas, de forma híbrida: presencial em São Paulo ou on-line, conforme a escolha do participante. Ao todo, são 24 horas de conteúdo voltado a profissionais que precisam aplicar RAG, GEMs e outras ferramentas em processos corporativos.
O programa promete equilibrar técnica e reflexão crítica, revisando casos de uso em empresas, estratégias de implantação de chatbots e métricas de desempenho. Mais detalhes e formulário de inscrição estão disponíveis no site da escola (link oficial).
O que o aluno aprende
• Conceitos fundamentais de modelos de linguagem
• Configuração de pipelines RAG
• Criação de chatbots inteligentes
• Avaliação de riscos éticos na adoção de IA
• Técnicas de prompt engineering para sistemas corporativos
Por que a oferta interessa ao mercado
Relatórios de análise de dados mostram que 99 % das soluções de IA usadas por grandes empresas dependem de RAG ou arquitetura semelhante. A demanda por profissionais capazes de orquestrar bases documentais, minimizar alucinações e garantir governança cresce na mesma velocidade que novos modelos são lançados.
Para quem atua em educação, marketing ou TI, dominar essas práticas significa oferecer produtos e serviços mais assertivos. Já no ambiente acadêmico, o conhecimento ajuda a criar trilhas personalizadas, detectar plágio e expandir recursos de tutoria automática sem abrir mão da criatividade humana.
Chamada final
Se você busca atualizar a carreira, aproveitar a inteligência artificial na educação e ainda ter um professor que valoriza o lado humano do aprendizado, essa pode ser a hora de fazer parte da próxima turma. Afinal, como dizia o capitão de Walt Whitman no poema que inspirou Sociedade dos Poetas Mortos, o momento de assumir o leme é agora. Carpe diem — e bons estudos.

