A crescente presença da inteligência artificial na rotina profissional e pessoal levanta dúvidas importantes sobre sustentabilidade e autonomia. Em evento recente em São Paulo, o filósofo Pedro Cortella discutiu justamente o equilíbrio entre eficiência e resiliência ao usar tecnologias avançadas no dia a dia.
A palestra, que abriu um congresso focado em ESG, ganhou um tom ainda mais relevante após enfrentar problemas técnicos com os recursos digitais, evidenciando a importância de manter o controle mesmo quando a tecnologia falha.
Interrupções tecnológicas revelam desafios na dependência da IA
Durante o evento, uma falha no sistema de som impediu que a cantora Talita usasse o acompanhamento instrumental programado. Sem hesitar, ela se adaptou e cantou o hino a capela, mostrando que falta de tecnologia não é sinônimo de paralisação.
Logo depois, Pedro Cortella enfrentou um contratempo: o telão não funcionou, o que poderia prejudicar sua apresentação com slides. Porém, ele seguiu seu discurso sem o suporte visual e ressaltou que situações assim reforçam a necessidade de resiliência ao lidar com ferramentas digitais.
Sustentabilidade tecnológica vai além do consumo energético
Ao falar sobre sustentabilidade, a discussão normalmente aborda o impacto ambiental e a eficiência energética dos sistemas de inteligência artificial. No entanto, Cortella destacou que um critério essencial é a capacidade do sistema continuar operando quando algo sai do planejado.
Essa visão extrapola empresas e instituições, alcançando também a experiência individual. A sustentabilidade digital deve considerar se o uso da IA fortalece ou fragiliza habilidades humanas fundamentais, especialmente no cenário de cursos em TI e programação, que formam profissionais para lidar com tecnologia de forma crítica e autônoma.
A ameaça do comodismo na relação com a inteligência artificial
Um ponto-chave levantado no debate foi a facilidade que a IA oferece para terceirizar etapas do pensamento, como organizar ideias e gerar respostas prontas. Essa tendência pode enfraquecer habilidades cognitivas e o desenvolvimento de capacidades essenciais ao longo do tempo.
Ao depender exclusivamente da inteligência artificial para tarefas básicas, corre-se o risco de desaprender processos que antes eram parte do repertório pessoal e profissional — algo relevante para quem está em formação ou buscando crescimento na área de tecnologia.
Imagem: Internet
Como a tecnologia deve atuar em nossa rotina profissional
Tecnologia e inteligência artificial devem funcionar como ferramentas que ampliam as capacidades humanas, não substituem a autonomia nem o esforço cognitivo. Cortella reforça que para uma relação sustentável, precisamos garantir que essas habilidades continuem ativas, mesmo na ausência dos recursos digitais.
Esse ponto é fundamental para quem atua no setor de tecnologia da informação, que deve prezar pelo equilíbrio entre inovação e desenvolvimento pessoal, já que a área constantemente enfrenta mudanças rápidas e novas demandas que exigem resiliência e domínio técnico.
Vale a pena refletir sobre nossa dependência digital?
A palestra e as situações que ocorreram no palco funcionaram como um alerta para repensar nosso uso da inteligência artificial e demais tecnologias. A dependência excessiva pode reduzir a capacidade de adaptação, um atributo fundamental nas carreiras de TI e programação.
Assim, manter uma relação sustentável com a tecnologia significa cultivar autonomia, resiliência e senso crítico, garantindo que a inovação seja uma aliada que realmente potencializa as habilidades profissionais, sem criar dependência.
Esse debate está alinhado a discussões recentes sobre cidades inteligentes, onde a tecnologia urbana busca ampliar, e não restringir, as capacidades humanas, mostrando que integração e autonomia caminham juntas para o futuro da tecnologia.