Operações ilegais de mineração de criptomoedas, especialmente Bitcoin, têm causado impacto significativo nas redes de energia do Sudeste Asiático. Polícias e concessionárias de energia da região reforçaram o combate a essas práticas, que aliviam custos de eletricidade ao desviar energia, prejudicando sistemas elétricos e a economia local.
Casos recentes na Malásia, Tailândia e Indonésia mostram o crescimento desse problema, que envolve desde fraudes simples até conexões com redes de crime organizado. A demanda crescente por equipamentos de mineração gera desafios para fiscalização, tornando urgente o desenvolvimento de respostas tecnológicas e legais.
Operação policial na Malásia revela esquema de mineração ilegal
Na Malásia, uma série de mandados de busca feita em julho no estado de Johor desarticulou uma operação com 71 máquinas de mineração em vários imóveis alugados. A polícia prendeu três suspeitos e apreendeu equipamentos usados para minerar Bitcoin ilegalmente.
Segundo o chefe da polícia local, o grupo adulterava medidores para roubar eletricidade, causando uma perda estimada em mais de R$ 84 mil em apenas um mês, enquanto a mineração produzia até R$ 125 mil em lucro mensal. A concessionária Tenaga Nasional Berhad identificou quase 14 mil imóveis envolvidos com esse tipo de fraude entre 2020 e 2025, com prejuízos acumulados que ultrapassam R$ 6,4 bilhões.
Crescimento dos casos ameaça sistemas e economia digital
O Ministério da Energia da Malásia indica que os registros de mineração ilegal subiram de 610 em 2018 para quase 2.400 em 2024. Autoridades destacam que o problema impacta a segurança das redes elétricas, a arrecadação fiscal e a competitividade do setor tecnológico.
Especialistas apontam que, apesar dos esforços, ainda faltam uma legislação específica e recursos operacionais para conter a prática adequadamente. A expansão acelerada da infraestrutura digital no país torna o combate ao desvio de energia e à mineração ilegal ainda mais urgente.
Mineração ilegal conectada ao crime organizado e lavagem de dinheiro
A mineração em si não é ilegal, mas as autoridades vêm associando a prática criminosa a esquemas sofisticados, como lavagem de dinheiro, jogos online ilícitos e golpes digitais em larga escala. Em 2025, sanções internacionais atingiram um grupo cambojano acusado de usar criptomoedas para lavagem e fraudes, com apreensão de cerca de 15 bilhões de dólares em Bitcoin.
Na Tailândia, três grandes operações contra mineração ilegal resultaram na apreensão de mais de 6 mil máquinas e prejuízos superiores a R$ 145 milhões para a distribuidora de energia. Um dos casos apontou consumo mensal no valor de mais de R$ 3 milhões em energia, paga em apenas uma pequena fração.
Indonésia e Malásia ampliam fiscalizações contra fraudes energéticas
A Indonésia enfrenta situação parecida, como mostrou a apreensão de mais de 1.100 equipamentos em Sumatra do Norte no final de 2023. Estima-se que o prejuízo com energia desviada tenha passado dos R$ 4 milhões apenas em seis meses. Em resposta, governos locais implementam medidas duras e intensificam a cooperação entre forças de segurança, reguladores e concessionárias.
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Na Malásia, além da criação de comitês específicos, a adoção de medidores inteligentes em subestações ajuda a identificar padrões de consumo suspeitos. Ainda assim, as operações policiais encontram desafios devido à mobilidade rápida dos equipamentos e à complexidade das redes criminosas, que frequentemente contam com apoio interno.
O caso do Laos e o impacto da mineração legal na economia local
No Laos, um programa estatal autorizado em 2021 liberou empresas para explorar a mineração digital visando aproveitar excedentes hidrelétricos. Apesar da instalação de 500 megawatts para a atividade entre 2021 e 2022, o projeto mostrou-se pouco vantajoso em longo prazo.
Contas de energia atrasadas e baixa geração de emprego levaram o governo a interromper o fornecimento para mineradores em 2025. A prioridade passou a ser transferir energia para setores estratégicos como fabricantes de veículos elétricos, centros para desenvolvimento de inteligência artificial e exportação de eletricidade para países vizinhos.
Essa experiência reforça a necessidade de políticas que alinhem o uso da energia à geração de valor econômico sustentável e à segurança das redes elétricas, evitando prejuízos para a população e a infraestrutura.
Na sequência das crescentes dificuldades enfrentadas na região, especialistas ressaltam a importância de monitoramento avançado e transparência sobre o uso de energia, assim como regulamentações para garantir que sistemas de mineração arquem com seus custos reais, sem repassar riscos para a sociedade.
O olhar tec digital acompanha de perto essas movimentações, destacando a relevância dessas questões para a infraestrutura tecnológica e para o futuro das carreiras na área de TI e inteligência artificial, setor que depende diretamente da estabilidade e da segurança energética para inovar.