Amazon acelera corrida espacial e compra Globalstar por R$ 57,6 bi

Mais um movimento bilionário sacode o mercado de satélites. A Amazon anunciou a aquisição da Globalstar por US$ 11,57 bilhões (cerca de R$ 57,6 bilhões) e encurtou a distância que a separa da líder Starlink.

O negócio, revelado nesta terça-feira (14), entrega à gigante de Jeff Bezos uma constelação pronta para conversar diretamente com celulares, mesmo onde não existe torre de telefonia. É um passo estratégico rumo à oferta global de internet via satélite.

Detalhes da aquisição da Globalstar

Pelo acordo, cada acionista da Globalstar poderá optar por receber US$ 90 em dinheiro ou 0,321 ação da Amazon, prêmio que representa mais de 31 % sobre a cotação registrada em 1º de abril. O valor total converte-se em R$ 57,6 bilhões, considerando a taxa de câmbio do dia do anúncio.

A Amazon herdará imediatamente cerca de 20 satélites já operacionais da Globalstar. Eles somam-se às mais de 200 unidades do Projeto Kuiper, constelação própria lançada pela companhia para oferecer banda larga a partir do espaço.

O que muda para o Projeto Kuiper

O plano oficial da Amazon prevê atingir 3.200 satélites até 2029, metade deles já em órbita em julho, para cumprir exigências regulatórias. Com a nova estrutura, esse cronograma ganha fôlego extra, porque boa parte da tecnologia de comunicação direta ao aparelho já está pronta.

Segundo porta-vozes ouvidos pela agência Reuters, o serviço comercial do Kuiper continua programado para chegar ao público ainda em 2024. Porém, a integração completa dos recursos da Globalstar deve ampliar o portfólio a partir de 2028, permitindo não apenas banda larga fixa, mas também envio de mensagens e alertas de emergência sem apoio de estações terrestres.

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Corrida pela internet via satélite

Hoje, a SpaceX de Elon Musk lidera o segmento com a Starlink. A empresa opera por volta de 10 mil satélites e já soma mais de 9 milhões de usuários em todo o mundo, segundo dados internos divulgados em março.

Enquanto isso, a Amazon investe pesado para ganhar terreno. Além da compra da Globalstar, a companhia fechou contratos com Blue Origin, United Launch Alliance e Arianespace para lançar centenas de equipamentos nos próximos anos. A iniciativa faz parte do esforço de democratizar a conectividade fora dos grandes centros urbanos.

  • A Starlink negocia parcerias com operadoras como a T-Mobile para conectar celulares direto ao espaço;
  • Outros players, como OneWeb e Viasat, também buscam fatias desse mercado bilionário;
  • A consultoria McKinsey estima que a demanda por internet via satélite pode triplicar até 2030.

Impacto no mercado e nas ações

O anúncio mexeu imediatamente com Wall Street. Os papéis da Globalstar avançaram mais de 9 % durante o pregão, enquanto as ações da Amazon subiram cerca de 2,5 %. Analistas do Summit Ridge Group destacam que o acordo resolve a principal lacuna da Amazon: o espectro voltado a conexões diretas com dispositivos móveis.

Para investidores, a compra reduz o risco tecnológico do Kuiper e cria uma ponte para novos serviços, como planos corporativos destinados a logística, agricultura e mineração em áreas remotas.

Participação da Apple e próximos passos

Outro ponto curioso da negociação envolve a Apple. Em 2024, a empresa de Cupertino investiu US$ 1,5 bilhão na Globalstar para garantir a continuidade de funções como SOS de emergência e localização via satélite em iPhones e Apple Watch.

Fontes próximas às companhias afirmam que o contrato existente será mantido, preservando a oferta dos recursos de segurança da Apple. A Amazon, portanto, passa a fornecer infraestrutura também para uma rival direta em outros segmentos, enquanto avança em seu próprio ecossistema.

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Calendário regulatório

A conclusão da transação depende do aval de órgãos reguladores nos Estados Unidos e em mercados internacionais. A expectativa é fechar tudo até 2026. Até lá, as duas empresas seguem operando de forma independente, embora equipes técnicas já colaborem nos testes de interoperabilidade entre as frotas.

Quando a operação deve ser concluída

De acordo com documentos enviados à SEC, a Amazon pretende finalizar o processo de due diligence ainda neste semestre. Depois, partes interessadas votarão em assembleia extraordinária para validar a fusão.

Se tudo correr dentro do previsto, o selo de aprovação final sai em 2026, permitindo que a Amazon integre por completo a rede da Globalstar ao Kuiper. No curto prazo, clientes não devem notar mudanças; a transformação ocorrerá gradualmente, à medida que novos satélites forem lançados e softwares atualizados.

O que esperar daqui para frente

A aquisição reforça a tendência de consolidação no setor espacial. Para o leitor do Olhar Tec Digital, vale ficar de olho nos próximos testes de campo, que prometem mostrar, na prática, como a internet via satélite chegará ao celular sem antena perto.

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