A jornalista Cris Guterres aborda a importância da comunicação genuína e presencial em um cenário dominado por algoritmos que promovem a superficialidade. Em uma entrevista no programa Inteligência Orgânica, ela rejeita a ideia apocalíptica do “fim do mundo”, tratando a tecnologia como uma ferramenta para emancipação social e fortalecimento comunitário. Sua trajetória na periferia de São Paulo e a experiência como mulher negra estão no centro de sua visão sobre comunicação, resistência e representatividade.
Cris também compartilha como a filosofia dos setênios, descoberta numa crise pessoal aos 38 anos, ajudou a transformar sua autocrítica severa em acolhimento. Inspirada em Glória Maria, ela fundou o coletivo Herdeiras de Glória Maria, voltado para mentorias e apoio mútuo entre jornalistas negras. A comunicação autêntica, combinada ao uso estratégico da inteligência artificial, aparece como ferramenta para enfrentar desafios estruturais e impactos contemporâneos do racismo.
Comunicação autêntica contra a superficialidade dos algoritmos
Cris Guterres enfatiza que a comunicação presente e verdadeira resiste à lógica dos algoritmos que dominam plataformas digitais. Ela critica o uso massivo de inteligência artificial para alimentar conteúdos padronizados e “ensossos”. Para a jornalista, a tecnologia deve servir como um meio para conectar pessoas e fortalecer narrativas reais, não para criar uma cobertura superficial da informação.
Essa perspectiva é ainda mais relevante para quem atua na área de tecnologia e comunicação, onde o desafio é integrar ferramentas digitais sem perder a essência humana da mensagem. A conversa dela no Inteligência Orgânica alerta para o risco de se tornar refém das máquinas, um debate parecido com as discussões sobre a dependência da inteligência artificial na era digital, que têm ganhado força nos últimos anos.
Racismo estrutural e tokenismo no mercado de trabalho em TI
Cris Guterres denuncia o racismo estrutural e o tokenismo que ainda permeiam a indústria de comunicação e tecnologia. Ela rejeita o rótulo de “difícil” quando levanta discussões sobre raça e exige ser remunerada para evitar ser usada apenas para cumprir cotas superficiais em eventos corporativos. Essa postura firme é um posicionamento estratégico para garantir dignidade e reconhecimento financeiro.
Além disso, ela aponta que a redução dos investimentos em diversidade, muitas vezes influenciada por pautas extremistas, vai contra dados que mostram que a pluralidade aumenta a lucratividade das empresas. Esse é um tema muito atual na área de TI, especialmente em processos de inclusão em carreiras técnicas e em startups que trabalham com inteligência artificial e inovação.
Conexão entre heranças históricas e tecnologia moderna
A jornalista traça um paralelo histórico entre a escravidão mercantil – base do capitalismo – e as condições precárias de trabalho atuais, como a gamificação aplicada a entregadores de aplicativos, que precisam bater metas quase impossíveis. A tecnologia, embora avançada, pode reforçar desigualdades se não for usada com consciência e responsabilidade.
Essa reflexão é fundamental para profissionais de tecnologia, que devem analisar o impacto ético de soluções baseadas em algoritmos e inteligência artificial. A relação entre trabalho precarizado e automação exige atenção, sobretudo em um mercado que cresce com a inovação mas replica essas dinâmicas exploratórias.
Imagem: Internet
Uso estratégico da inteligência artificial na rotina profissional
Cris Guterres utiliza inteligência artificial para otimizar tarefas repetitivas, reconhecendo o potencial da automação para aumentar produtividade. Porém, ela alerta para o risco de perder a originalidade e qualidade no conteúdo produzido quando a IA é usada sem cuidado. Essa abordagem mostra como é possível equilibrar eficiência técnica com uma comunicação que mantém sua voz única.
O exemplo de Cris evidencia que o controle sobre essas tecnologias é fundamental para profissionais em tecnologia e comunicação, que precisam evitar uma homogeneização do trabalho. Da mesma forma, existe um movimento crescente para resgatar o valor do tempo desconectado, buscando espaços de cura e criatividade, como no samba, prática cultural citada por ela.
Vale a pena acompanhar a visão de Cris Guterres para quem atua em tecnologia e comunicação?
A abordagem de Cris Guterres sobre comunicação autêntica, inteligência artificial e resistência tem relevância direta para profissionais e estudantes de TI, jornalistas e produtores de conteúdo. Sua crítica à superficialidade imposta pelos algoritmos e o raciocínio sobre as desigualdades no mercado, aliados ao uso estratégico da IA, oferecem insights importantes para quem deseja construir uma carreira sólida e consciente.
Para quem busca inspiração e um panorama realista dos desafios contemporâneos no universo da tecnologia, acompanhar esse diálogo é uma oportunidade de refletir sobre o papel das ferramentas digitais na vida profissional e social.
Para acessar o conteúdo completo e entender melhor essa conversa, o episódio está disponível no YouTube.
Além disso, debates sobre o uso da inteligência artificial na estratégia militar já revelam como o setor tecnológico está em rápida transformação, como apontado em notícias recentes sobre robôs de guerra com IA, um indicativo de que a tecnologia se faz presente em diversos setores, impactando carreira, inovação e programação.