A renomada Rádio Eldorado, fundada em 1958 e integrada ao Grupo Estado, confirmou que deixará de operar ainda em 2026. A decisão pegou de surpresa parte do público fiel que, há décadas, acompanha a programação musical e jornalística da emissora.
O anúncio veio à tona na última sexta-feira (24), quando painéis de elevador da capital paulista exibiram a mensagem sobre o encerramento. Desde então, ouvintes, profissionais de mídia e especialistas em tecnologia buscam entender os próximos passos do grupo e o impacto no cenário radiofônico nacional.
O que motivou o fechamento da Rádio Eldorado
Até o momento, o Grupo Estado não divulgou detalhes financeiros nem um comunicado completo explicando a medida. No entanto, fontes internas confirmaram que o modelo de negócio, historicamente sustentado por publicidade tradicional, perdeu fôlego com a migração de audiência para plataformas de streaming e podcasts.
A emissora vinha buscando alternativas digitais, mas não conseguiu repetir no ambiente on-line o mesmo sucesso obtido no dial FM. Profissionais que acompanharam a trajetória da rádio apontam que a ruptura definitiva marca o esgotamento de um formato que dominou o mercado por mais de meio século.
Breve histórico: 66 anos de programação diversificada
Lançada em 1958, a Rádio Eldorado ficou conhecida pela mescla de jornalismo e música de curadoria refinada — de rock alternativo a clássicos nacionais. Nos anos 1980, programas como “Hora da Vitrola” se tornaram referência entre colecionadores de vinil, enquanto atrações mais recentes, como “Som a Pino” com Roberta Martinelli, conquistaram nova geração de ouvintes.
Além da música, a emissora manteve forte ligação com a redação do jornal O Estado de S. Paulo, veiculando boletins de notícias, colunas de cultura e entrevistas exclusivas. Essa combinação rendeu prêmios e consolidou o slogan “a rádio dos melhores ouvintes”.
Reação dos ouvintes nas redes sociais
Logo após o anúncio, o perfil oficial da emissora no Instagram foi inundado por mensagens de agradecimento e pedidos de reconsideração. Muitos relataram que a Rádio Eldorado fazia parte da rotina diária no trânsito de São Paulo ou em momentos de trabalho remoto.
Em grupos de tecnologia e áudio nas plataformas Discord e Telegram, entusiastas discutem possibilidades de continuidade em formato 100 % digital. Apesar das especulações, não há confirmação de que a marca planeje manter podcasts, playlists ou serviço de assinatura.
Impacto para o mercado de mídia tradicional
Especialistas em transformação digital observam que o fechamento reforça a pressão sobre veículos que ainda dependem exclusivamente de receita publicitária no dial. Para Adriana Lopes, consultora de inovação em mídia, “o caso Eldorado mostra que a diversificação de fontes de renda, como clubes de assinatura e experiências presenciais, deixou de ser diferencial e virou questão de sobrevivência”.
De fato, iniciativas como cursos on-line, clubes do livro e eventos culturais tornaram-se alternativas rentáveis para emissoras e portais. A ausência de um projeto robusto nesse sentido pode ter acelerado o desfecho. No Olhar Tec Digital, acompanhamos o avanço de modelos híbridos que combinam rádio, streaming e oferta de produtos digitais voltados a um público disposto a pagar por conteúdo premium.
O que muda para jornalistas e colaboradores
Profissionais ligados à emissora serão realocados dentro do Grupo Estado ou liberados para o mercado, conforme cronograma interno ainda a ser divulgado. Embora não exista número oficial de desligamentos, a expectativa é que produtores, locutores e técnicos sejam diretamente afetados.

Imagem: Reprodução
Alguns apresentadores já sinalizaram, em seus perfis pessoais, a intenção de migrar para plataformas de podcast ou projetos independentes. A apresentadora Roberta Martinelli, por exemplo, agradeceu aos ouvintes durante a edição de segunda-feira do “Som a Pino” e prometeu novidades em breve.
Possíveis caminhos futuros para a marca
Mesmo sem confirmação de continuidade, a marca Rádio Eldorado ainda detém valor simbólico considerável. Analistas avaliam três cenários:
- Retorno como rádio on-line 24/7, sustentada por assinaturas;
- Manutenção apenas de podcasts e playlists em serviços de streaming;
- Encerramento completo, com foco das equipes em outros veículos do grupo.
Qualquer que seja a opção, a decisão precisará ocorrer rapidamente para aproveitar o engajamento de uma comunidade que, segundo dados internos, reúne milhares de ouvintes fiéis.
Datas importantes no cronograma de desligamento
O calendário preliminar indica:
- Maio de 2026: início da redução gradual da programação ao vivo;
- Agosto de 2026: suspensão de programas jornalísticos de horário fixo;
- Dezembro de 2026: desligamento total do transmissor FM na Grande São Paulo.
Durante o período, a emissora deve veicular comunicados de orientação aos ouvintes, explicando como serão tratados conteúdos já contratados e acordos publicitários vigentes.
Como acompanhar atualizações
Ouvintes interessados em futuros desdobramentos podem se cadastrar na newsletter do Grupo Estado ou seguir os perfis oficiais nas redes sociais. O canal permanece ativo para informar sobre novos projetos envolvendo a equipe e a marca Eldorado.
Enquanto isso, plataformas de streaming como Spotify e Deezer já hospedam parte do acervo de entrevistas e programas especiais, garantindo acesso a quem deseja relembrar momentos marcantes desses 66 anos de história radiofônica.
Conclusão do processo de desligamento
O encerramento da Rádio Eldorado marca o fim de um capítulo relevante no rádio brasileiro e reforça o desafio de adaptação que veículos consolidados enfrentam na era da economia digital. A expectativa do mercado agora se volta à capacidade do Grupo Estado de reaproveitar ativos editoriais e da audiência engajada em novos formatos compatíveis com o consumo de áudio sob demanda.
Até que a data final chegue, ouvintes podem continuar sintonizados em 107,3 FM ou acessar o streaming oficial para aproveitar a programação que consagrou a emissora como referência de curadoria musical e jornalismo cultural.