Brasília viveu uma tarde incomum em 30 de março. O Plenário do Senado recebeu cientistas, parlamentares e entusiastas para celebrar marcos decisivos da exploração espacial brasileira.
Além das homenagens oficiais, o que roubou a cena foi a presença de Eric Hatanaka, 12 anos, que contou como constrói foguetes experimentais e batizou um deles com o nome do astronauta Marcos Pontes. A declaração comoveu o público e reforçou a mensagem central da cerimônia: sonhar grande faz parte da ciência nacional.
Solenidade marca datas simbólicas para a exploração espacial brasileira
A sessão solene foi convocada para lembrar dois acontecimentos-chave. O primeiro é o 32º aniversário da Agência Espacial Brasileira (AEB), criada em 10 de fevereiro de 1994 pela Lei 8.854. O segundo é o vigésimo aniversário da Missão Centenário, que levou Marcos Pontes à Estação Espacial Internacional em 2004, tornando-o o primeiro brasileiro no espaço.
Coube ao senador Chico Rodrigues (PSB-RR) abrir os trabalhos. Ele recordou sua atuação como deputado federal no início dos anos 2000, período em que defendeu a aprovação de recursos para a viagem histórica de Pontes. Em seguida, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) tomou a palavra para destacar que o verdadeiro legado da missão é inspirar jovens a seguir carreiras em ciência e tecnologia.
A homenagem a quem constrói o programa espacial
Pontes aproveitou o momento para agradecer servidores, militares, engenheiros e pesquisadores que, longe dos holofotes, sustentam o Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais. Ele citou ainda profissionais já falecidos, lembrados com um minuto de silêncio, e afirmou que valorizar a história é fundamental para garantir o futuro do setor.
O discurso que emocionou o plenário
O ponto alto da cerimônia ocorreu quando Eric Hatanaka, aluno do 7º ano do ensino fundamental, subiu à tribuna. Vestindo jaleco de laboratório, ele descreveu o projeto “Decola Divinamente” e apresentou o foguete SUPERA (DD-E1K-F01), que leva o nome “Marcos Pontes”.
Segundo o estudante, a ideia nasceu da vontade de demonstrar que “tecnologia e humanidade precisam caminhar juntas”. Em casa, ele utiliza conceitos aprendidos em vídeos e livros para desenvolver soluções em benefício da própria avó, que tem mobilidade reduzida. “Eu era só um menino com um sonho, e mesmo assim você acreditou em mim”, disse, voltando-se a Pontes. A frase arrancou aplausos calorosos dos presentes.
Repercussão entre parlamentares
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou o sacrifício por trás de conquistas científicas: “Nenhum avanço vem sem renúncia”. Para ela, cerimônias como essa reforçam a importância de investir, de forma continuada, em educação científica e inovação.
Agência Espacial Brasileira: três décadas de resultados
Fundada em 1994, a AEB coordena a política espacial do país, articulando projetos com Força Aérea, universidades e empresas privadas. Entre suas entregas mais conhecidas estão satélites de observação da Terra, sistemas de monitoramento ambiental e programas de formação de engenheiros aeroespaciais.
Na visão de Pontes, a agência também fortalece a soberania nacional ao ampliar a presença do Brasil em missões internacionais e desenvolver tecnologias estratégicas, inclusive para agricultura, defesa civil e telecomunicações.

Imagem: Reprodução
Desafios para manter o ritmo de avanços
Apesar dos progressos, os participantes admitiram que ainda há gargalos de financiamento e infraestrutura. “Ciência não é luxo, é necessidade”, frisou Pontes. Ele defendeu prioridade orçamentária para o setor e maior sinergia entre governo, iniciativa privada e comunidade acadêmica.
Por que política e ciência precisam caminhar juntas
Marcos Pontes explicou que ingressou na vida pública para influenciar decisões que impactam educação, inovação e pesquisa. “Estar no Senado permite lutar por recursos e políticas de longo prazo”, afirmou. O ex-astronauta acredita que a trajetória de Eric Hatanaka reflete o potencial de uma geração que já nasce conectada a conceitos de engenharia e programação.
Para o senador, cada jovem que se inspira em um foguete escolar fortalece a cadeia de valor da exploração espacial brasileira, da qual fazem parte startups, institutos de pesquisa e grandes indústrias.
Mensagem final aos futuros cientistas
Encerrando a celebração, Pontes reforçou que “explorar o espaço é sobre oportunidades” e que o Brasil precisa garantir que nenhum sonho fique no chão. A frase ecoou no Salão Azul e, de acordo com relatos colhidos por Olhar Tec Digital, diversos convidados saíram convictos de que o país tem, sim, capacidade de se destacar em um cenário global altamente competitivo.
Perspectivas para a próxima década
Entre as metas listadas pela AEB para os próximos anos estão o lançamento de novos satélites geoestacionários, a retomada de testes de veículos suborbitais na Base de Alcântara e a ampliação de programas de popularização da ciência nas escolas públicas. Esses projetos pretendem consolidar a posição do Brasil em áreas como meteorologia, monitoramento de desastres e internet via satélite.
Com uma nova geração já engajada em experimentos de garagem, a mensagem que ficou é clara: a exploração espacial brasileira depende tanto de grandes investimentos quanto de pequenos grandes sonhos, como o do garoto que batizou um foguete com o nome do primeiro astronauta do país.
Quando o cronômetro da sessão foi zerado, cada fala reforçou a certeza de que, por aqui, o céu continua longe de ser o limite.

