A presença crescente de apps de “namorados de IA” no mercado brasileiro trouxe preocupações para autoridades sobre a segurança de crianças e adolescentes. Treze plataformas que simulam relacionamentos afetivos baseados em inteligência artificial estão sob análise do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A investigação aponta problemas como validação de idade deficiente, exposição a conteúdo sexualizado e a coleta excessiva de dados pessoais. O estudo da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) já foi encaminhado para avaliação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
Aplicativos sob investigação e características dos “namorados de IA”
De acordo com o MJSP, os 13 serviços em questão são conhecidos como “AI Companions” e incluem nomes como Character.AI, Replika, Nomi, Candy.ai e Kindroid, entre outros. Esses aplicativos utilizam chatbots avançados que mantêm diálogos contínuos e adaptam respostas com base no histórico do usuário.
Esses sistemas criam vínculos que simulam amizades, relacionamentos românticos e outras conexões emocionais. Justamente essa característica tem despertado alerta acerca do impacto no público jovem, que pode se expor a riscos durante o uso.
Problemas na verificação de idade nos apps de IA
Uma das maiores preocupações envolve como esses aplicativos verificam se o usuário é maior de idade. A maioria das plataformas permite a confirmação de idade apenas por autodeclaração, o que pode ser facilmente burlado. Testes indicam que, mesmo declarando idade falsa, usuários menores continuam acessando e interagindo normalmente.
Esse cenário se torna mais grave com as exigências do ECA Digital, que reforça a necessidade de mecanismos rigorosos para proteger crianças e adolescentes na internet. Conforme a legislação, serviços com público jovem devem adotar sistemas efetivos para impedir o acesso de menores em conteúdos ou interações impróprias.
Conteúdo sexualizado e risco na coleta de dados pessoais
Relatórios técnicos apontam que alguns desses “namorados de IA” podem exibir conteúdo inadequado e sexualizado para menores, o que representa um desafio para a moderação e segurança digital das plataformas.
Além disso, a intensidade das conversas com os chatbots leva os usuários a compartilharem informações pessoais sensíveis, incluindo detalhes emocionais e relacionais. A análise destaca o perigo da formação de perfis comportamentais, potencialmente usados para personalizar ofertas comerciais, publicidades ou serviços pagos.
Apego emocional e uso compulsivo da inteligência artificial
A investigação da Sedigi também enfatiza o risco do apego emocional excessivo a esses companheiros virtuais. O vínculo criado pode levar a uso compulsivo, prejudicando rotinas, desempenho escolar e relações sociais reais dos usuários.
Imagem: Internet
O avanço do mercado é acelerado: de 16 plataformas em 2022, o número saltou para mais de 128 em julho de 2025, somando cerca de 60 milhões de downloads apenas no primeiro semestre do ano. Esse crescimento se reflete na maior exposição dos jovens a possíveis riscos dos apps de IA.
Medidas e próximos passos para a regulação dos apps
Até o momento, não há decisão para bloquear os aplicativos investigados. O levantamento do Ministério da Justiça tem caráter preliminar e foi enviado para análise da ANPD, responsável pela proteção de dados e cumprimento do ECA Digital, e da Senacon, focada na defesa do consumidor.
Os desenvolvedores dos apps terão a oportunidade de se defender e apresentar seus argumentos. Caso sejam constatadas irregularidades, as autoridades poderão aplicar sanções conforme a legislação brasileira vigente.
Análise sobre a relevância da investigação dos apps de “namorados de IA”
A atenção dedicada a esses aplicativos reflete o crescente desafio em regular a inteligência artificial, principalmente quando envolve públicos vulneráveis. A combinação entre tecnologia de ponta, uso intensivo e falta de critérios claros de segurança reforça a urgência na adoção de políticas eficazes no setor.
Para quem acompanha o setor de tecnologia e carreira em TI, o caso demonstra como regulamentações e boas práticas são essenciais para garantir inovação, sem abrir mão da proteção dos usuários. Isso também impacta o desenvolvimento de cursos e treinamentos sobre ética e segurança na inteligência artificial.
Para quem tem interesse em entender mais sobre segurança digital, inteligência artificial e avanços tecnológicos, acompanhar o desdobramento dessa investigação no olhar tec digital é importante para estar atualizado com as mudanças no universo dos apps e da proteção dos dados.
Em um contexto próximo, é possível que novas discussões sobre práticas de verificação, privacidade e responsabilidade das plataformas influenciem outros setores da tecnologia, assim como os debates sobre o uso responsável de dados pessoais, tão relevantes quanto as recentes decisões envolvendo gigantes como o Google.