O DJ e produtor musical Bhaskar, com mais de 20 anos de atuação na cena eletrônica, revelou sua visão sobre a transformação do mercado fonográfico com o avanço da tecnologia. Em entrevista ao podcast Inteligência Orgânica, o artista comentou o papel crescente da inteligência artificial na produção musical e destacou a diferença entre a eficiência das máquinas e a criatividade humana.
Com origem familiar ligada ao psytrance brasileiro e experiência internacional em teologia, Bhaskar traçou sua trajetória do início ao lado do irmão Alok até sua consolidação nas vertentes House e Progressive. Ele também ressaltou o impacto da IA na indústria musical, principalmente no uso de vocais gerados sem royalties, apontando que a criação automática fica longe da profundidade emocional que caracteriza o trabalho artesanal.
A evolução tecnológica e o mercado fonográfico
Bhaskar discutiu as mudanças que a tecnologia trouxe para a música eletrônica, principalmente a presença da inteligência artificial na criação de faixas. Segundo ele, o som gerado por algoritmos é comparável a um “miojo”, rápido e prático, mas sem a riqueza que uma “massa artesanal” oferece quando feita com dedicação e sensibilidade.
O produtor destaca que, apesar da capacidade das máquinas de entregar músicas em alta velocidade, a experiência verdadeira depende da semente humana por trás da obra. Esse contraste entre eficiência comercial e autenticidade artística ganha ainda mais relevância diante da democratização da produção proporcionada pela IA.
Performance ao vivo e a conexão orgânica
Sobre as apresentações ao vivo, Bhaskar explicou a complexidade de tocar em eventos renomados, como Tomorrowland, Quartzo e Burning Man. Ele enfatizou que o improviso e a leitura da pista com equipamentos como CDJs demandam uma sensibilidade e conexão que as máquinas não conseguem reproduzir.
O produtor reforçou que o ritual da performance física gera uma interação única com o público, algo insubstituível pela automação. Nos eventos citados, ele também valoriza a atmosfera colaborativa e comunitária, principalmente no Burning Man, onde a troca de experiências e o compartilhamento resgatam o significado mais profundo do som.
A influência pessoal e os desafios do cenário atual
Além das transformações tecnológicas, Bhaskar comentou aspectos pessoais que influenciaram sua carreira, como o estudo da teologia em Londres e a paternidade de seu filho Gaian. Ele afirma que a chegada do filho trouxe um ponto de equilíbrio, afastando excessos do meio noturno e fortalecendo sua busca por uma criação mais genuína.
Imagem: Internet
O artista acredita que, embora o uso da IA expanda o acesso à produção musical, o diferencial continuará sendo a mente criativa aliada à experiência real do artista. Esse posicionamento ressalta a importância da carreira de pessoas interessadas em tecnologia e música, incluindo estudantes e profissionais de cursos de TI, programação e produção onde a inteligência artificial ganha espaço.
Inteligência artificial e a transformação digital na música
A análise feita por Bhaskar se conecta com a realidade da popularização da inteligência artificial no mercado digital, como mostra o olhar tec digital. A aplicação da IA em diversas áreas, inclusive no campo artístico, altera profundamente processos e consumo. Plataformas geradoras de conteúdo automático, assim como a utilização de IA para criação de vocais sem direitos autorais, representam um avanço tecnológico e um desafio para o setor.
Ao mesmo tempo, é fundamental entender os limites da tecnologia e valorizar o aspecto humano. Essa visão está alinhada com debates sobre o impacto da inteligência artificial na produção de vídeos e música digital, que vêm moldando a carreira de artistas e profissionais da área de TI.
Vale a pena investir na criação humana mesmo com o avanço da inteligência artificial?
A reflexão de Bhaskar reforça que a inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas a essência artística mantém-se no talento e na experiência humana. Para quem trabalha ou deseja seguir carreira na produção musical, tecnologia ou desenvolvimento de soluções digitais, entender essa dinâmica é fundamental.
Assim, o equilíbrio entre inovação tecnológica e essência criativa será o caminho para novas oportunidades. Direcionar estudos e capacitações em TI e áreas correlatas pode preparar os profissionais para navegar nesse universo híbrido, onde a inteligência artificial potencializa, mas não substitui a mente humana.