Artemis II ultrapassa recorde da Apollo 13 e leva humanos ao ponto mais distante da Terra

Seis dias depois de deixar a órbita terrestre baixa, a tripulação da Artemis II alcançou um feito histórico: tornou-se o grupo humano que mais se afastou do planeta. O marco, registrado na noite de segunda-feira (6/4), reforça a nova fase do programa lunar da NASA.

Enquanto percorriam 406 800 quilômetros — cerca de 400 mil quilômetros da superfície — os quatro astronautas continuavam a documentar a Lua em alta resolução, abrindo caminho para as próximas etapas de exploração.

Quatro astronautas em missão de teste

A Artemis II é a primeira viagem tripulada do novo programa lunar da NASA. O comandante Reid Wiseman e os colegas Victor Glover e Christina Koch, todos da agência norte-americana, voam ao lado de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). O grupo decolou há pouco menos de uma semana a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguete SLS.

Na segunda-feira, às 19h15 (horário de Brasília), os sensores da Orion registraram a distância recorde de 252 756 milhas — o equivalente a 406 800 quilômetros. A marca anterior pertencia à Apollo 13, que em 1970 chegou a 400 171 quilômetros durante a famosa missão de retorno de emergência.

Imagem inédita da Lua

Pouco antes do ponto máximo de afastamento, as câmeras da Orion capturaram um panorama completo do disco lunar. Na metade superior da foto é possível reconhecer o lado visível, com suas manchas escuras formadas por antigos fluxos de lava. Logo abaixo aparece a Bacia Orientale, cratera com cerca de 965 quilômetros de diâmetro que se estende pelos dois hemisférios do satélite.

A cena permitiu observar, em único enquadramento, tanto a porção que enxergamos da Terra quanto o lado oculto. Segundo a equipe científica da missão, essas imagens ajudam a calibrar sensores de navegação e a refinar mapas topográficos que servirão aos pousos futuros.

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Homenagem pessoal em órbita

Durante o sobrevoo, Wiseman anunciou que a tripulação batizou uma pequena cratera em memória de sua esposa, Carroll, falecida em 2020. A escolha simbólica foi transmitida ao Centro Espacial Johnson, em Houston, e repercutiu rapidamente nas redes oficiais da agência. A cápsula Orion também recebeu o apelido de Integridade, termo citado pelo comandante como “essencial para qualquer missão de longa duração”.

Para o público que acompanhava a transmissão, o gesto reforçou um ponto recorrente nas viagens de longa distância: por trás de cada equipamento de ponta há histórias pessoais que atravessam fronteiras e unem diferentes países.

Impactos da microgravidade no corpo

Mesmo com a cabine modernizada, voar centenas de milhares de quilômetros exige adaptação constante. Em microgravidade, relatam os astronautas, a sensação de fome diminui, os alimentos perdem sabor e a hidratação precisa ser monitorada a todo instante. Mudanças na pressão arterial reduzem os batimentos cardíacos e deixam os pés gelados.

Esses efeitos vêm sendo registrados pelo time médico da NASA desde as primeiras horas da missão. Os dados fisiológicos de Wiseman, Glover, Koch e Hansen serão comparados aos de tripulações anteriores para aperfeiçoar planos de nutrição, exercícios e medicamentos antes de voos ainda mais longos, como a viagem a Marte projetada para a década de 2030.

Antes da decolagem, despedidas de meia hora

O cronograma apertado no dia do lançamento oferece às famílias apenas 30 minutos de contato final. Durante esse período, a tripulação veste o traje pressurizado, realiza checagens de comunicação e segue para a plataforma. Segundo a NASA, psicológos e astronautas veteranos acompanham os parentes, prontos para oferecer assistência emocional até que o foguete deixe o solo.

Depois da separação dos estágios, a equipe terrestre mantém videoconferências regulares com os familiares. O protocolo faz parte da estratégia de bem-estar que a agência considera crucial para missões multiatores, nas quais o elo humano é visto como o recurso mais valioso — e vulnerável.

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O que vem a seguir

Com o recorde estabelecido, a Orion inicia gradualmente o trajeto de retorno. A nave fará nova passagem próxima à Lua para ganhar velocidade de queda e, em seguida, apontará o escudo térmico em direção à atmosfera terrestre. A descida em alta velocidade deverá terminar com a abertura de três paraquedas principais e o pouso controlado no Pacífico dentro de aproximadamente nove dias.

Caso os ensaios de navegação, telecomunicação e suporte de vida continuem sem falhas, a Artemis II validará todos os sistemas necessários para a Artemis III — missão que pretende pousar astronautas no polo sul lunar e preparar infraestrutura para expedições mais longas.

Por que esse recorde importa

Quebrar a marca da Apollo 13 é mais que um dado estatístico. O deslocamento inédito serve para testar sistemas de reabastecimento de energia, performance do escudo térmico em trajetórias ampliadas e estabilidade dos sistemas de suporte de vida por um período mais extenso. Cada métrica obtida agora reduz incertezas em missões futuras.

Além disso, a façanha coloca novamente a exploração tripulada no centro das atenções do público. Para o Olhar Tec Digital, iniciativas que unem Estados Unidos, Canadá e demais parceiros internacionais funcionam como vitrine de tecnologia e inspiram novas gerações de engenheiros e cientistas.

Quer acompanhar o retorno?

A NASA transmite em tempo real, com áudio das salas de controle e comentários de especialistas. Basta acessar o canal oficial da agência para verificar os cronômetros de manobra, os gráficos de telemetria e as imagens externas captadas pelas câmeras da Orion.

Com mais de 406 mil quilômetros percorridos desde a Terra, a Artemis II consolida a retomada da presença humana nos arredores da Lua e oferece dados valiosos sobre como proteger o organismo fora do nosso planeta. O pouso marcará o encerramento desta etapa crucial rumo a viagens ainda mais longas.

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